por Juliana Batista às 07:46

A web 3.0 ainda não é uma realidade tão clara para os habitantes fora do eixo da terra do Tio Sam, mas é interessante ver como o mercado e a cultura brasileira caminham para isso, ao menos no que diz respeito a tentar entender seu conceito (amém!).

Dentro de um processo que começou com uma maior atenção ao que se denominava – e ainda se denomina - de mídia online e num meio onde a mídia offline ainda ditava as regras, a web 2.0 foi ganhando força e filhos pródigos como SEM, SEO e SMO.

Falar em web 3.0 é falar no mundo ideal em que não haja mais a banal distinção de mídia on ou off, onde tudo seja uma engrenagem única – e o caminho para esse mundo ideal é cada dia mais real. Digo banal porque quando se pensa em marketing e publicidade como um todo, soa meio estranho pensar em on e off como coisas separadas, ou até mesmo chegar a tentar dizer que “essa é mais importante que a outra”. São peças diferentes, mas todas as duas são importantes para o bom funcionamento da engrenagem.

Sem falar que no passo que vai a tecnologia, vai ser até difícil definir o que é on ou off, será tudo a mesma coisa, ou uma nova coisa. Basta ver que nos EUA já é possível, ainda que em alguns casos em fase beta, usar TV e computador num só aparelho, o que propicia ao usuário buscar e visualizar propagandas na tela com anúncios relacionados com o contexto que está assistindo – isso é algo que pode ser trabalhado com SEM? – ou personalizar “o seu canal” com o conteúdo que lhe agrada ou de acordo com o nicho do qual faz parte – isso é algo que pode ser trabalhado com redes sociais?).

Em termos de economia, isso propicia o que Chris Anderson, autor do The Long Tail, alardeou na capa da Wired deste mês (aliás, ele é diretor de redação e um dos editores da revista): mais do que na era da web “ponto alguma coisa”, estamos na era do grátis.

O grátis, diz ele, surgiu com a evolução da economia de mercado, da livre e saudável concorrência. O Google é o maior exemplo disto, tendo lucrado US$ 4,2 bilhões em 2007 oferecendo tudo sem ônus. Detalhe: pelo menos 98% desta receita foi financiada pelos links patrocinados.

Entre outros exemplos da era do grátis podemos citar a boa e velha Wikipedia, operadoras de celular que dão o celular de graça em troca de assinatura de pacote de serviços, softwares “freemium” e a idéia do ano em 2007 no meio musical, que foi o Radiohead disponibilizando grátis seu CD In Rainbows (ou, melhor, em leilão, no sistema “pague o quanto quiser, puder e tiver, whatever, leve as músicas para casa”), pois o montante que realmente vai encher o bolso deles é o de shows e afins.

Isso levanta uma discussão acalorada sobre “quem financia o grátis”. Como disse João Marcelo Bôscoli, presidente da gravadora brasileira Trama, sempre tem alguém que paga a conta, e a transferência desta para os anunciantes é mera reprodução do mecenato que existe há um trilhão de anos. Ou seja, nada se cria, tudo se copia, muta e dá cria.

Mais do que isso, todos esses fatos denotam uma revolução no sentido de informação, qualidade e interatividade.

O fato é que é muito bom estar num mundo onde as informações e os acontecimentos estão aí - basta você se mexer para não ficar para trás.

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