por Fabio Caetano às 05:20

Hoje o patrocínio do futebol da Globo ainda é algo almejado por muitos anunciantes. Sem sombra de dúvida não há o que questionar, quanto a sua rentabilidade, visibilidade e horizontalidade, proporcionada pelo pacote de comerciais, vinhetas, chamadas, inserts, vinhetas virtuais e reaplicações entregues durante todo o período e com possibilidade exposição a 98% da população (cobertura da Globo). Ou seja, é muito do que uma marca espera, e, para isso, o anunciante precisar ter a oportunidade de entrar, e é claro esperar na fila. Algo difícil uma vez que os patrocinadores atuais renovam ano após ano. Já ia esquecendo: é necessário um investimento estimado de R$110 milhões.

Vamos dizer que a marca do anunciante seja exposta aos 98% de cobertura da TV Aberta / TV Globo, ou seja, 182,3 milhões de pessoas (População Brasil 2006 base IBGE 186 milhões de habitantes). Guardemos este número.

Vou falar de internet agora, hoje já presente na maioria dos planejamentos de Mídia, mas ainda questionado por muitos. Boa parte com investimentos tímidos por insegurança do meio e outros já usando a interatividade que o meio propicia.

O último dado do IBOPE aponta para 39 milhões de usuários base Brasil e a pesquisa realizada pelo Data Folha em abril de 2007, aponta para 50 milhões de usuários. Seja qual for o número certo, o fato é que este meio tem números já para ser considerado uma mídia de massa, porém possui o diferencial de podermos fazer ações de nicho. Em meio aos fotologs, videologs, flickers, myspace, orkut, blogs, search engine marketing, messenger, portais de serviços, conteúdos, comunidades, este meio tem um valor agregado que é a vivencia com a marca e, como já disse antes, a interatividade com o usuário.

Agora começando a nossa conta de padaria: se temos R$110 milhões para uma cobertura de 182,3 milhões de telespectadores, por que não temos tantos anunciantes pré-dispostos a investir na proporção para um cenário de 39 milhões de usuários (base IBOPE), ou seja, R$23,5 milhões?

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18 comentários para “Uma conta de padaria para refletir”

  1. alon disse:

    Fabio, muuuuito bom seu post. Realmente poucas empresas acordaram para os reais números da internet e seu alcance.

  2. Juliana Batista disse:

    Essa conta de padaria foi perfeita! Realmente a internet é um caminho e tanto, só falta os anunciantes migrarem da fase “investimentos tímidos”, pois os resultados com certeza sempre serão muito bons!

  3. cava disse:

    Um comentario: os dados do ibope e datafolha sao de pessoas de 16 anos ou mais, sendo assim, o numero é ainda maior que o que vc colocou.

    E uma informacao que pode ajudar a explicar. Tem anunciante que precisa aparecer pros 190 milhoes. E pra isso, precisa comprar o pacote futebol (pq comprar xizinho é muito caro). E quando compra o pacote, acaba colocando a maior parte da sua verba nisso, nao sobrando 23 milhoes pra web e outros milhoes pra outros meios.

  4. cava disse:

    um update pro meu comment, a pesquisa do datafolha é na verdade uma pesquisa da F/Nazca que foi realizada pelo Datafolha.

  5. Fernand disse:

    Só pra colocar lenha na fogueira desse comentário.

    Acho um pouco superficial a análise. Não quero jogar nenhuma ducha de água fria, pelo contrário. Acho q devemos ser um pouco mais sérios para sermos ouvidos.

    - Primeiro: a Internet não é nem nunca será uma mídia de massa. O q caracteriza uma mídia de massa não é o número de pessoas atingidas mas a estrutura de criação e distribuição da comunicação. Uma mídia de massa típica é a criação de poucos e distribuição para muitos. A Internet não é criação de poucos mas criação de muitos para muitos também.

    - Segundo: se a Internet não é mídia de massa, ela só tem a perder em termos de destino de investimento de comunicação qdo comparada com qualquer mídia de massa. É outro bicho. É completamente irrelevante e míope fazer esse tipo de cálculo de porcentagem do bolo publicitário para uma mídia ou para outra. Dizer q a Internet absorve 4 ou 5 % do bolo publicitário é uma bobagem absurda considerando a pulverização desse “ambiente”.

    - Terceiro: a Interenet não é uma mídia. Ela inclui uma mídia. Ela é uma nova maneira de pensar comunicação. Pergunta: O Globo na Internet é essa mídia “Internet” ou é a mídia “Jornal”? A MTV na Internet é oq? Internet? Porq? Acho q está mais do q na hora de parar com esse tipo de análise. Os veículos (de massa) tradicionais já pararam de ver suas posições/atuações/plataformas digitais como outros canais. São a mesma coisa. O q interessa é falar das marcas (de comunicação) e dos seus conteúdos é não dos canais.

    - Quarto: na análise mais rasa, se entendermos q Internet é mídia comparável com outras mídias de massa (apesar de não concordar nunca com essa análise), vamos cair na real: comunicar-se com o consumidor nessa internet aí é muito mais difícil e trabalhoso. Isso para não falar dos formatos clássicos de publicidade nessa internet aí q são ridículos, chatos, invasivos, demais (banners de qq tipo inclusive os moderninhos). Ou então são racionais demais (por exemplo a compra de palavras chaves e que tais).

    - Quinto: quem disse q precisamos matar uma mídia para vender outra? quem disse q precisamos comparar para vender melhor? Vamos ser um pouco mais astutos.

    - Sexto: to chato demais, eu sei, mas esse tipo de argumento não sensibilizaria uma colibri, quem dirá os mamutes que gerenciam as grandes verbas de comunicação!

    Fernanfd

  6. cava disse:

    vamos queimar esse frances em praça publica!

  7. cava disse:

    Fernand, concordo com a maioria dos seus pontos mas acho que é uma discussao quase filosofica.

    A TV tambem é mais que um meio. A importancia da internet nao esta sem ser midia de massa mas ela pode ser usada sim como midia de massa.

    Acho que ninguem disse pra matar uma midia.

    Comunicar-se com o consumidor nessa internet aí é muito mais difícil e trabalhoso sim. Aceite isso e seja feliz. Acabou a moleza.

    O ponto mais importante que vc citou que acho matador é ser um argumento que só convence quem nao precisa ser convencido.

  8. alon disse:

    Fernand, Cava, Gaviões da Fiel, Mancha Verde e etc

    O post do Fábio não é OU e sim E. Assim como se investe cento e poucos mulhões na TV Globo pelo alcance, hoje a internet também tem alcance, segmentado e interativo. Portanto a intenção é incentivar os clientes, as marcas a vestir esta camiseta sem medo, sem vergonha e ir pra cima.

    E concordo com o frances da praça publica e com o Sr. Coxa em quase todos os sentidos.

  9. Fernand disse:

    é, o frances aqui tá azedo (pleonasmo, eu sei)…

    Entendi a idéia do Fábio mais com uma provocação do q propriamente um argumento. E eu adoro uma provocação.

    Fernand

    PS: E senhor icecream, acho q os clientes não precisam de incentivo, precisam é de porrada.

  10. Fabio Caetano disse:

    Fernand,

    Exatamente Alon, em nenhum momento Fernand questionei a efetividade do Futebol Global e nem da TV Aberta, mesmo porque já o defendi e avaliei e ajudei a vender para marcas que estão a mais de 3 anos com o evento.
    Com relação ao ser midia de massa, discordo, 39 milhões ou 50 milhões é um numero bem consideravel e com certeza este numero aumentará cada vez mais, invadindo outras classes. Outra coisa, dizer que internet não é uma midia, isto me frustra ainda mais, pois pensando desta forma muitos anunciantes no passado e ainda hoje cortam ou cortaram este meio de seus planejamentos por achar que era algum monstro dificil de se lidar.
    Assim como o radio, tv, revista, outdoor, a internet deve ser considerada como mais um meio no mix de comunicação de midia. O que acredito é que seja internet ou outro meio, o desafio está em explorar da melhor forma possivel o que o meio pode lhe oferecer. Um exemplo claro mudandando de meio é: a quanto tempo não se ve jingle bom de radio? E não simplesmente a trilha de audio de um comercial de TV.

  11. alon disse:

    Fábio, eu questiono a efetividade ;-)

  12. cava disse:

    Bando de vendidos, já fizeram as pazes.

  13. Fernand disse:

    Fabio,

    A definição correta de midia de massa não é qtas pessoas a midia atinge mas qual é a forma como ela se constroi. Midia de massa significa de poucos para muitos. Precisamente o q faz a Internet ser outro bicho - e é nisso q está exatamente sua força e sua característica de mudar todos os paradigmas da comunicação - é q ela é feita de muitos para muitos.

    O q eu disse ainda é q não está correto a gente separar os meios dessa forma. Não em tempos de convergência. Jornal não é o papel, é o tipo de conteúdo. TV não é o aparelho, é o conteúdo e a atitude do receptor da mensagem. E por aí vai.

    Em outras palavras: enquanto a gente continuar a “vender” mídia meio a meio, a gente está deixando de lado o poder q a complementariedade das formas de comunicaçao pode ter. Vamos vender A Globo (em todos os dispositivos de acesso ao conteúdo pertinentes ao nosso target.).

    Desculpe, Fábio, eu não estava querendo te frustrar. Pelo contrário. Eu não acredito nesse negócio de comunicação meio a meio. Nunca acreditei q especialistas em meios de comunicação podem ser bons especialistas em comunicação. Nunca acreditei em agências especializadas em determinados meios mas em agências especializadas em comunicação.

    Mas eu sei q o q acredito não necessariamente se aplica na prática. As vezes temos q ceder ao discurso mais superficial. Mas temos q ser inteligentes para não se acomodar na conveniência da circunstancia. É preguiçoso e perigoso.

    E se vc me permite, eu iria mais fundo. Fazer esse discurso de “vender a internet” como mídia não precisa mais. Vamos vender uma nova maneira de fazer comunicação!

  14. Fabio Caetano disse:

    Fernand,

    Concordo plenamente que não devemos vender midia meio a meio, e sim uma estratégia de comunicação de acordo com as necessidades do anunciante, avaliando qual a melhor forma de atingir o objetivo da marca, produto, mas se não explorarmos o que há de melhor em cada meio, seja individualmente ou dentro do mix de comunicação, cross midia, com certeza perderemos a oportunidade de sermos mais efetivos. E indo para inicio de toda a conversa o que defendo é que ainda existe muita timidez por parte dos anunciantes com relação a utilização da internet. Acredito piamente na convergencia digital e que todos os meios terão que se adaptar para este novo cenario, seja impresso ou eletrônico. Agora meu amigo com relação a vender a internet como midia, eu diria que ainda tem muitos anunciantes que questionam e tem duvidas sobre o meio e que dirá com relação a convergencia digital que vai mais além onde a internet é apenas umas das ferramentas e te digo mais, agências especializadas em determinados meios estão fadadas ao desaparecimento e com certeza as que pensam fora da caixa e do tradicional X (e volto a falar, que continua tendo a sua importância dependendo da necessidade do anunciante), farão a diferença.

  15. Z disse:

    Nem quero entrar nesse embate todo, mas penso de uma forma bem simples e que na real ta dentro tudo isso que vcs disseram.
    Quantidade de espectadores nao define se a midia é de massa ou nao, certo?
    Agora vamos nos colocar um pouco como target. Quanto tempo passam vendo televisão, jornal, revista e rádio?
    Quanto tempo passam na internet? Internet ganha… certo?

    Ok. Somos uma minoria. Mas o que as pesquisas que vcs mesmo fazem é que o comportamento está mudando.
    Se as pessoas ficam mais tempo na internet (e tendem a ficar cada vez mais, tanto em tempo como em quantidade de pessoas), vou querer justamente é falar com elas onde elas estão.

    É futuro. É sim. Mas os cliente tem que começar a sacar isso agora.
    A verdade é que como a própria globo diz, o futuro já começou.
    E hoje a festa é nossa. :-)

  16. Alon disse:

    Z, sabe que vc é meu ogro preferido.

    Interessante sua metáfora justo com a Globo.

    Nosso objetivo simplesmente é convidar mais gente pra festa. Mais alguma idéia?

  17. Fernand disse:

    Tá certo Fábio…mas, que internet não é mídia, isso não é. Ainda bem que não é. Vocês já perceberam por exemplo que todas as mídias tradicionais tem o nome de seu dispositivo de recepção? Menos Internet. Ninguém fala “eu leio minha internet qdo estou no avião” ou “assisto internet quando estou na cama”. Sabe porq? Porq internet não é dispositivo de recepção. E se não é dispositivo de recepção, na definição caduca do q é mídia, não é mídia. É por isso q acho q mídia é uma palavra em extinção. Já viciou e não se adapta mais ao futuro que já começou. Quanto à festa, eu acho q vai ser uma suruba para alguns e uma hecatombe para outros.

  18. Alê Jungermann disse:

    Interessante o questionamento que foi feito pelo Z em relação ao tempo que as pessoas passam online.

    Segundo o eMarketer, nos EUA, a Internet já responde por 29% do consumo de mídia, embora receba apenas 8,8% das verbas publicitárias.

    Conversei há uns dias com o Cava justamente sobre isso, porque não consigo aceitar este descompasso.

    Entendam que não estou - de forma alguma - dizendo que a relação deve ser obrigatoriamente 1 para 1, o que - neste caso significaria direcionar 29% da verba pra web mas sim que, como o Z bem colocou “Se as pessoas ficam mais tempo na internet, vou querer justamente é falar com elas onde elas estão.”

    Faz sentido?

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