Jul
Um assunto que tem desesperado os membros da Academia Brasileira de Letras e qualquer defensor mais conservador da Língua Portuguesa é qual será futuro do português, já que tem aumentado muito o número de brasileiros que tem acesso à internet e isso se reflete diretamente na comunicação.
Primeiro porque não há nada que impeça qualquer pessoa de escrever como bem entender, e segundo porque a disseminação de informações pela internet é mais rápida que em qualquer outro meio, o que leva as pessoas a abreviarem palavras e resumir idéias para serem mais rápidas e objetivas.
Atualmente, um dos maiores “inimigos” da Língua Portuguesa, tem sido o tiopês (tiopês vem de escrever a palavra “tipo” com as letras trocadas “tiop”), uma linguagem que mistura erros gramaticais grotescos, incoerência e nonsense propositalmente. Entretanto, o tiopês não é considerado um “assassino da língua”, pois quem sabe realmente falar um tiopês fluente, costuma ter um bom conhecimento da língua para poder errar nos lugares certos.
O que quase ninguém consegue descobrir ou se lembrar é de onde surgiu essa linguagem. O mistês é o mais velho (2001). Ele foi criado pelo blogueiros Misto Eleazar, Marcos Rodrigues e por Rafael Madeira. Amigos de uma sala de bate-papo do Mirc, eles começaram a escrever imitando quem cometia deslizes ortográficos no programa.
Para divulgar a brincadeira, os três montaram fotologs em que só escreviam o tal de mistês (de Misto).
Em 2006, o internauta Ale Crescini criou uma comunidade para fazer novas amizades. Ele escrevia de maneira, digamos, exótica, cheia de falhas de digitação e de erros de concordância e pontuação. O pessoal achou graça nisso e entrou na comunidade para imitar o seu “estilo”. Nascia o alechat. Pouco tempo depois surgia no próprio Orkut o tiopês um mix do mistês e do alechat.
O ícone dessa linguagem descontraída e bem-humorada é Cersibon, personagem de Rafael Madeira. Os personagens não têm forma fixa, são feitos no Paint sem a mínima intenção de serem visualmente bonitos. São rabiscos às vezes incompreensíveis, o que impossibilita o leitor de distinguir os personagens, transformando quase todos em “Cersibons”. Quase todos porque apesar de serem praticamente indistinguíveis, existem outros personagens, como Jezebel, Gláucio, Mizabet e Naldo.
O Cersibon fez tanto sucesso, que Rafael resolveu criar uma outra versão mais ousada, o Pornibon, que segue a mesma linha mas são piadas que tenham algum apelo sexual sem perder a essência. E o Cersiensia, que não são tirinhas, mas estudos do autor e idealizadores sobre as tirinhas, tentando explicar algo inexplicável.
O sucesso foi tão grande, que surgiram diversos outros blogs imitando o estilo de Rafael, e ele consciente de que é praticamente impossível ter algum controle do que acontece na Internet, criou o Cersifan, onde os fãs podem mandar suas tirinhas. Ele também adicionou outros 3 blogs que seguem o estilo de Cersibon, mas os 3 deixam claro que são inspirados nele, havendo assim uma integração dos trabalhos e acabam promovendo um ao outro.
É claro que o tiopês não surgiu do nada, houve uma evolução lingüística para chegar ao o que ele é hoje, mas vale lembrar que como cada vez mais pessoas adotam essa linguagem, fica impossível prever o que será o tiopês daqui a algum tempo, ou até mesmo se ele vai resistir às novidades. Se você se interessou, use o tradutor português-tiopês para ir aprendendo comofas.
















1 de Julho, 2008 at 4:18 pm
O tiopês é senso de humor em estado puro + campo inesgotável para a criatividade lingüística. O Cersibon foi sensacional porque acrescentou a criatividade visual à mistura. Um marco importante nessa história.
Não sabia que o original tinha dado tantos filhotes pela Internet. Adorei o post, alta concentração de informação por pixel quadrado! Parabéns!
1 de Julho, 2008 at 5:49 pm
Obrigada Alexandre.
É realmente algo muito divertido para ser desperdiçado. Espero que as próximas evoluções sejam cada vez melhores.
Lembrando que o miguxês não foi pra frente, mas o tiopês é milhares de vezes mais divertido. Tem poencial. hahaha
2 de Julho, 2008 at 4:25 pm
eu adoro isso. a primeira vez q vc ve, soa bizarro. mas de alguma forma, depois, as palavras comecam a fazer sentido e as situacoes sao mto boas.